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terça-feira, 19 de março de 2013

Festival de rock em São Paulo traz movimento contra homofobia


Banda "Depois do Fim" participa do Queers & Queens


Unindo música alternativa e ativismo contra homofobia, durante todo o mês de março o palco do Dynamite Pub, em São Paulo, vai receber o “Queer & Queens”. Serão 24 bandas, 16 DJs, palestrantes e manifestações com o objetivo de propagar a informação de que a homofobia é crime e que preferência sexual não define caráter.

Um dos critérios utilizados na seleção das atrações foi o fato de ao menos um dos integrantes ser assumidamente homossexual, e que a banda tivesse identificação com o público LGBT. Entre os destaques estão o grupo de pop punk “Depois do Fim”, o quarteto mineiro "Top Surprise", do punk  curitibano do “Teu Pai Já Sabe?”, além de diversos grupos que fazem a cena underground paulista como o grupo “Jack Revenge”.

O Dynamite Pub está na rua 13 de Maio, no. 363 – Bela Vista, São Paulo. A entrada é gratuita, para mais informações, acesso o site www.queersandqueens.com.br. Confira a programação:

Dia 02/03 (sádado) às 16h

Top Surprise (Juiz de Fora)


Analisando Sara (Santos)


Cassie


DJs: Guilherme Furtado e Willian Tagart

Dia 03/03 (domingo) às 16h


Depois do Fim


Sapato43


Eyppie


DJs: Junior Gray e Lulu Hipérbole

Dia 09/03 (sábado) às 16h


As Mercenarias


Vou Cuspir no Seu Tumulo (Curitiba)


Jacks Revenge


DJs: Rizada e Sérjô

Dia 10/03 (domingo) às 16h


Teu Pai Já Sabe? (Curitiba)


Anti-Corpos (Santos)


HellSakura


DJs: Irishrover13 e Vinicios Maran

Dia 16/03 (sábado) às 16h


No Skill (João Pessoa)


Glorious Bond (Santos)


Ideocrime


DJs: Ginger Hot e Will Nygma

Dia 17/03 (domingo) às 16h


Human Trash


Star61


Blenda


DJs: Dave Santos e Gorda

Dia 23/03 (sábado) às 16h


Tuna


Larusso


La Revancha


DJs: Xerxes e Walmir Jr

Dia 24/03 (domingo) às 16h


Twinpine(s)


Metade Melhor


Not a Lady


DJs: Manu e Ledah Briacho


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sexta-feira, 1 de março de 2013

Espetáculo que discute homofobia recebe doações para chegar aos palcos paulistanos

 


Depois de patrocínios negados, espetáculo "Tem alguém que nos odeia" recebe doações para chegar aos palcos


O espetáculo “Tem alguém que nos odeia” aborda a relação privada e amorosa de duas mulheres, Maria, brasileira, e Cate, estrangeira, que decidem morar juntas em São Paulo. Dentro do antigo e decadente apartamento herdado por Maria, elas vivem em conflito, com suas histórias e culturas diferentes que provocam atritos constantes e comuns a qualquer relação já desgastada pelo tempo. Em meio a esse ambiente conflituoso, a violência e o terror batem à sua porta invadindo seu lar. Obrigadas a enfrentar agressões físicas e psicológicas de algum homofóbico do prédio, ele se torna um inimigo invisível e constantemente presente.



O texto escrito em 2011 por Michelle Ferreira foi finalista do “Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia Antônio José da Silva (2011)” em parceria entre a FUNART e o Instituto Camões. Tudo estava certo que seria fácil arrumar um patrocínio e apoiadores para uma produção já premiada. Mas não foi isso que aconteceu. Nenhuma instituição privada procurada está disposta em patrocinar a peça “Tem alguém que nos odeia”. Foi quando a atriz e produtora Ana Paula Grande arregaçou as mangas e foi a luta de um patrocínio coletivo. Ela explica como é o projeto e a saga de levantar a verba necessária para colocar a obra nos palcos.

Você apresentou o texto para diferentes empresas. Quais foram as justificativas que estas empresas deram para não patrocinar?
Ela foram evasivas, na verdade nunca foram diretas. Quando a gente chegava no ponto principal da peça, que é a homofobia, as empresas geralmente diziam que não queriam falar sobre o assunto, ou que neste ano vão patrocinar cinema. Na verdade, as empresas estão preocupadas com textos comerciais, não com o tema proposto. Sabemos que a homofobia é um tema relevante para a sociedade, questionar o porquê ela ainda não é crime é urgente. Mas, ainda, estas instituições preferem produções que lucrem.

Como o texto aborda o tema?
O texto é lindo, muito delicado. Conta a história de duas mulheres que vivem juntas em um apartamento, durante o enredo elas começam a ser persseguidas por um vizinho homofóbico e chegam a ser agredidas. O espetáculo não tem cenas de duas mulheres se pegando, peladonas. Ou seja, vamos atingir um público que vai ao teatro, em muitos casos, que não está interessado na causa LGBT.

Você chegou a pedir patrocínio para ONGs LGBTs?
Muitas. Esta semana cheguei mandar e-mail para 300 instituições não governamentais, apenas três me responderam. Uma disse que não tinha dinheiro, outra foi mais direta ainda falando que eu sou louca de pedir dinheiro para uma ONG, a última foi bastante interessante; ela disse assim no e-mail: “o silêncio é uma forma de discriminação”, eu pergunto: “esta última instituição leu meu e-mail explicando o que é a peça, qual mensagem ela quer passar?” Eu não posso ficar calada, o espetáculo tem que acontecer, é de relevância para a sociedade. Resolvi colocar o projeto no Catarse.


E como você conheceu o Catarse?
Eu fui para Europa de lua de mel com meu marido, não sou gay, sou casada com um homem. Lá, visitei vários concertos e peças. Quando eu lia os panfletos dos espetáculos, via o nome de várias pessoas que patrocinaram aqueles projetos e mostrei para meu esposo. Depois, no ano passado, fomos para os Estados Unidos, e lá também se passava a mesma coisa. Quando voltei para o Brasil, procurei algo parecido e cheguei ao Catarse. É maravilho, já que lá as pessoas podem doar em projetos a partir de temas que lhes agradam, não visando se o projeto vai dar lucro ou não. Uma amiga conseguiu juntar 30 mil reais para seu monólogo pelo Catarse. A equipe deles é fantástica, eu cheguei desesperada para mostrar meu projeto, já pensando: “Se eu conseguir mil reais, eu faço a peça em uma praça pública”. Chegamos em um valor minimo de 25 mil reais para colocar o espetáculo dois meses em cartaz.

Vocês já tem um teatro fechado para exibir a peça?
Temos sim. Será no Teatro Augusta, no palco experimental. Eles até me disseram que caso a gente consiga um bom resultado, conseguimos ficar em cartaz até três meses. O Sesc, como está preocupado com a temática e não com o lucro, como as empresas, já disse que também está interessado em exibir nosso espetáculo, mas a gente precisava enviar um vídeo do espetáculo. A gente não tinha dinheiro para ensaiar, quanto menos para pagar a diretora.

Você disse que não é gay. Qual o interesse tão grande em um espetáculo com temática LGBT?
A gente faz teatro desde os 10 anos de idade. 90% dos nossos amigos são gays e desde a minha adolescência vejo estes mesmos amigos sofrendo por serem gays, vários amigos na escola eram afeminados e não conseguiam ter amigos. Agora, fiz 30 anos, e quero ter um filho e não quero que ele viva em um mundo assim, não quero que ele sofra e este projeto é o que me faz ter força.*

Caso queria contribuir para o projeto "Tem alguem que nos odeia", ou conhecer o Catarse, acesse aqui e saiba como doar. Em cena estão as atrizes  Bruna Anuarte e Ana Paula Grande, cenografia de Pedro Henrique Moutinho, hair e make up de Dicko Lorenzo  e direção de José Roberto Martins.


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Michael, do V�lei Futuro, diz que ajudou a inibir homofobia no esporte

 

Michael sofreu com a torcida do Cruzeiro


Alvo de manifesta??es homof?bicas da torcida do Cruzeiro durante as semifinais da Superliga de V?lei no m?s de abril do ano passado, o meio de rede Michael, do V?lei Futuro, voltou a falar sobre o assunto quase um ano ap?s o ocorrido e garante que sua atitude, ao reagir e causar repercuss?o nacional, ajudou a inibir as ofensas vindas das arquibancadas, mas admitiu que ainda convive com o desrespeito.


“Sempre vai ter uma, duas, tr?s pessoas que v?o fazer essa brincadeira, como sempre teve. Mas n?o vou brigar com duas pessoas em um gin?sio, n?o vou deixar isso influenciar meu jogo. Estamos no s?culo 21, as pessoas est?o mudando, mas ainda ter?o alguns que n?o v?o crescer”, declarou Michael em entrevista ao jornal Lance!.


De acordo com Michael, o epis?dio do ano passado foi um fato isolado, j? que ele nunca havia divulgado sua op??o sexual. “Nunca precisei assumir para ningu?m, eu sempre fui basicamente isso”, revelou.


“Aonde vou, todos falam que adoraram minha atitude. Isso realmente contribuiu para dar um passo muito grande para que isso n?o aconte?a mais, pois isso pode machucar algu?m. Acho que as pessoas v?o pensar antes de agir dessa forma. O esporte em geral ? muito machista. Isso contribui para as pessoas pararem e pensarem sobre esse tipo de torcida”, avaliou Michael.


Apesar de revelar sua op??o sexual, Michael confidenciou que nunca namorou ningu?m, e tampouco se relacionou com algu?m ligado ao esporte: “At? por ser gay e ter medo de alguma retalia??o, sempre mantive minha vida particular muito minha”. Afinal, ele disse nunca ter conhecido outra pessoa com a mesma orienta??o: “Tem gente que se esconde. N?o que eu esteja discriminando quem se esconde”.
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Fechar 08/01/2012


Michael, do V?lei Futuro, diz que ajudou a inibir homofobia no esporte



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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Torcida do Palmeiras protesta e polemiza: "A homofobia veste verde"

 

A torcida palmeirense exibiu a faixa preconceituosa por pouco tempo


A reapresenta??o do elenco do Palmeiras foi marcada pela tens?o e por protestos da torcida. Nesta quarta-feira, torcedores da ala organizada do clube foram ao CT da Barra Funda para reclamar das a??es da diretoria e dos jogadores. Al?m de xingar o presidente Arnaldo Tirone, eles exigiram a contrata??o de mais refor?os e criticaram alguns jogadores como Valdivia, Deola e Henrique.


Outro fator que chamou aten??o no movimento foi uma faixa rapidamente exibida pelos torcedores. Nela estava escrito: "A homofobia veste verde". A frase tem a ver com o poss?vel interesse da diretoria alviverde em contratar o volante Richarlyson, do Atl?tico-MG.?Ricky e Palmeiras entraram em choque em 2007, quando o ent?o diretor do clube Jos? Cirillo J?nior insinuou que Richarlyson fosse homossexual em uma programa de TV. O atleta negou e processou o dirigente.?


A Pol?cia Militar deslocou 30 homens para o local e declarou que 500 pessoas se reuniram para o protesto. Alguns levaram faixas com dizeres ofensivos ao mandat?rio do Alviverde e ao vice Roberto Frizzo.


"Estamos impacientes com a situa??o do time. ? uma vergonha, todo mundo se refor?a. Tem time que contrata Fred, Deco e Martinuccio, mas o Palmeiras n?o contrata nenhum jogador de peso. A gente reivindica uma diretoria de futebol profissional, n?o um conselheiro que ganha agenciando jogadores", afirmou o presidente da organizada Mancha Alviverde, Marcos Ferreira.


Tamb?m foram citados os nomes de Cicinho, Thiago Heleno, Henrique e M?rcio Ara?jo na manifesta??o. At? o ?nico refor?o contratado at? agora, o lateral-esquerdo Juninho, j? foi lembrado pelos manifestantes.?

Fechar 05/01/2012


Torcida do Palmeiras protesta e polemiza: "A homofobia veste verde"



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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Clubes do Campeonato Ingl�s se unem contra homofobia no futebol

 

A campanha est? sendo organizada pelo governo brit?ncio


Os 20 clubes do Campeonato Ingl?s fizeram nesta quarta-feira (2) um manifesto p?blico contra a homofobia no mundo do esporte.


O Governo brit?nico lan?ou em mar?o do ano passado a "Carta contra a homofobia", uma iniciativa similar ? qual j? tinha sido lan?ada na Fran?a.


A organiza??o do Campeonato Ingl?s assinou o documento em junho, enquanto as equipes que atuam na primeira divis?o inglesa resolveram assinar o manifesto nesta quinta-feira, que j? conta com "cerca de 3 mil indiv?duos e clubes", segundo a ministra de Igualdade brit?nica, Lynne Featherstone.


"O Campeonato Ingl?s e seus membros acreditam que qualquer um deveria participar e desfrutar do esporte", assinalou o diretor-executivo da Premier, Richard Scudamore.


O representante do Campeonato Ingl?s ressaltou que se sente "satisfeito" de "reafirmar o compromisso" contra a homofobia com "as assinaturas individuais de cada um dos clubes".


Na carta assinada nesta quinta-feira pelas equipes da primeira divis?o inglesa, o conte?do afirma um comprometimento dos times de "fazer do futebol um lugar bem-vindo para todo o mundo, tanto para os que participam do jogo, como para os que assistem as partidas e os que trabalham como volunt?rios".


At? o momento, o ?nico jogador profissional ingl?s que assumiu em p?blico sobre seu homossexualismo foi Justin Fashaw, que se suicidou em 1998 ap?s ser acusado pela Pol?cia americana de uma suposta agress?o sexual a um menor de idade.


Segundo a organiza??o de defesa dos direitos dos homossexuais Stonewall, a maioria dos jogadores gays sofre press?es por parte de seus clubes e agentes para que n?o tornem p?blica sua orienta??o sexual. O motivo, no entanto, seria o de evitar a "hostilidade dos torcedores".?

Fechar 02/02/2012


Clubes do Campeonato Ingl?s se unem contra homofobia no futebol



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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Parada Gay do Rio re�ne 1 milh�o de pessoas contra homofobia; assista

A 16? Parada do Orgulho LGBT (sigla para l?sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) do Rio de Janeiro reuniu neste domingo na praia de Copacabana quase 1 milh?o de pessoas para se manifestar contra a homofobia, informaram os organizadores.

V?deo

Sob o lema "Somos todos iguais perante a paz - Toda forma de viol?ncia deve ser crime", a parada percorreu toda a Avenida Atl?ntica, na orla de Copacabana. A ideia ? chamar a aten??o das autoridades, j? que o aumento de crimes contra a comunidade homossexual tem aumentado no Brasil. Para animar os participantes, esta edi??o da Parada do Orgulho LGBT contou com 15 trios el?tricos.

Livraria da Folha


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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Não há homofobia no Brasil, afirma Magno Malta

Nunca antes o embate entre evangélicos e a comunidade gay foi tão falado (e noticiado). Como se estivessem em lados opostos _em especial na área política_ há uma enxurrada de textos, acusações e desconfiança de ambos os lados (se é que é possível se falar em “lados”).

A trincheira ficou mais profunda a partir da decisão do Supremo que garantiu a união o direito à união homoafetiva em maio último. Dias depois, o deputado federal Anthony Garotinho, um dos líderes da Frente Parlamentar Evangélica, declarou aos gritos no plenário da Câmara que a bancada evangélica (formada por 70 deputados) não iria votar mais nenhuma medida na casa até que o kit anti-homofobia do MEC fosse suspenso. Dias depois estourou o caso Palocci e a Frente voltou a ameçar o Planalto ao dizer que votaria para que o então Ministro fosse chamado ao Congresso para dar explicações. O Governo recebeu líderes da bancada evangélica no dia 25 de maio e suspendeu o material.  Garotinho declarou: “Ele [o ministro Gilberto Carvalho] disse que tem a palavra da presidente da República de que nada do que está no material é de consentimento dela. E nós suspendemos a obstrução e todas as nossas medidas”, afirmou Garotinho. Palocci renunciou dias depois.

Mas a reação não parou por aí: dois deputados da Frente Evangélica tentaram derrubar a decisão do Supremo que garantiu a união homoafetiva. Primeiro foi o deputado João Campos (PSDB-GO), que em oito de junho entrou com um Projeto de Decreto Legislativo que visava derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal. O pedido foi indeferido pelo presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS).

Depois foi a vez do deputado federal evangélico André Zacharow (PMDB-PR) propor um plesbicito para perguntar se população é a favor da união civil gay. O projeto tramita na na Câmara sob a sigla  Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 232/11.

Conforme a proposta, nas eleições seguintes à aprovação do PDC (em 2012 ou 2014), os eleitores deverão responder à seguinte pergunta: “Você é a favor ou contra a união civil de pessoas do mesmo sexo?”. As respostas possíveis são “sim” e “não”. O resultado do plebiscito, conforme a proposta, servirá de base para a aprovação imediata de uma lei que
Zacharow argumenta que se trata de uma questão polêmica, que tem suscitado violência verbal e física. Para ele, a consulta popular é a única forma de acalmar os ânimos. “Todos deverão se curvar a vontade nacional a ser expressa no resultado do plebiscito”, disse.

Com ânimos cada vez mais acirrados, um fato ocorrido na primeira semana de julho pode atenuar essa aparente guerra montada entre políticos evangélicos e políticos progressistas. Nesta semana foi exaustivamente noticiado o que seria o primeiro passo de um acordo entre líderes evangélicos do Senado com a senadora Marta Suplicty, o senador Demóstenes Torres e a ABGLT em torno de um novo texto substitutivo ao PLC 122 costurado em reunião com o senador Marcelo Crivella (que é da Igreja Universal) e um almoço com o senador Magno Malta (Líder da Frente em defesa da Família). Um novo texto para criminalizar a homofobia e que abranja outras atitudes discriminatórias seria escrito a quatro mãos (por Crivella e Demóstenes, mas com relatoria de Marta e opinião de Toni Reis, da ABGLT).

Magno, que por diversas vezes subiu à tribuna do Senado para discursar contra o PLC 122, saiu em defesa deste novo texto, que tem nome provisório de “Lei Alexandre Ivo”: "Estão confundindo a opinião pública. Homofobia é violência física, assassinato, crueldade, barbaridades, já o texto apresentado pela senadora Marta Suplicy, também com novo nome, agora, batizado de Lei Alexandre Ivo, é uma tentativa de enfrentar a intolerância, o preconceito e a discriminação no mais amplo sentido e não apenas em favor dos homossexuais, mas também na questão racial, estética, social, religiosa e contra o machismo que humilha as mulheres".

Para Magno Malta não se deve priorizar uma ou outra minoria de foirma isolada, mas fazer leis que abracem o maior número de possíveis vítimas da intolerância. "Devemos ter ações para enfrentar os preconceitos étnico-racial, o social – de rico contra pobre – estético – principalmente as crianças obesas que sofrem bullying, em relação à sexualidade, a intolerância a religiosidade, a discriminação contra o idosos, o excepcional e a cruel violência contra a mulher", disse. A notícia do seria o primeiro acordo entre duas forças que se degladiam há anos (desde que o primeiro projeto de união civil gay foi apresentado na Câmara, em 1995) no Congresso surpreendeu.

Dias depois, no dia 13 de julho, Marta se reuniu com outros líderes da Frente LGBT já com o novo texto da lei em mãos, para discuti-lo. Da reunião, os deputados Jean Wyllys e Manoela D’Avilla sairam com a incumbência de acrescentar sugestões e buscar apoio de outros deputados. Se tudo der certo, o novo texto será apresentado em agosto, na volta do recesso parlamentar, e votado em outubro. Agora com apoio amplo.

O senador falou com exclusividade conosco.

Como tem sido sua atuação diante das negociações em torno da nova lei anti-homofobia? Há chances reais desta lei ser aprovada?

Há mais de 8 anos venho mostrando que devemos respeitar o próximo, sem qualquer tipo de preconceito ou intolerância. Mas não concordo com o termo homofobia, principalmente no caso do PL 122. O Brasil não é homofóbico. O brasileiro convive sem guerra ou violência física com as diversidades de raça, credo, ideologia política e até mesmo social. Homofobia é agressão, violência truculência, crueldade. Existem os casos isolados, como aconteceu com os jovens de brasileira que colocaram fogo em um índio. Ou um grupo de delinqüentes que espancou um jovem até a morte. Mas são exceções e não regra. Mas o preconceito e a intolerância estão enraizados profundamente na sociedade brasileira. De forma sutil, o pobre, o homossexual, o negro, índio, evangélico, judeu, anão, obeso, idosos e até mulheres são vítimas de discriminação. Esta é minha luta, pela igualdade social. Por isso acho muito complicado aprovar lei anti-homofobia, mas quero lutar para aprovar um texto que pune qualquer tipo de preconceito e intolerância.

O Judiciário tem trabalho de maneira pró-ativa, já tendo aprovado a união estável entre casais do mesmo sexo e até mesmo a conversão destas uniões em casamento. Qual a sua opinião sobre o tema? O senhor é a favor da união estável? E do casamento civil?
O Judiciário, principalmente o Supremo está legislando, querendo ocupar o lugar do Parlamento. Mas união de casais do mesmo sexo é aceitável. Só não pode receber o mesmo tratamento que a constituição garante para a família. O status de família, clausula pétrea da constituição brasileira, não pode ser alterada e deve ser privilégios de casal homem/mulher, principalmente na educação de filhos. Homem com homem ou mulher com mulher é opção de cada um. Mas família é uma instituição acima de qualquer lei dos homens. É uma criação de Deus e assim deve ser respeitada. Crianças precisam de referência de mãe e pai.

Por conta da pressão da bancada evangélica, a votação do PLC 122 foi adiada diversas vezes. O senhor já se posicionou de maneira contrária ao projeto – chegando a ameaçar renunciar caso ele fosse aprovado – mas agora tem se mostrado a favor da nova lei anti-homofobia, que pode se chamar Lei Alexandre Ivo. O que mudou no seu posicionamento? Qual a diferença entre uma e outra?

Não é mais a bancada evangélica somente, mas a Frente Parlamentar Mista Permanente em Defesa da Família Brasileira que tem assinatura da grande maioria dos parlamentares. Conversei com a relatora Marta Suplicy em meu gabinete. Ela sabe que com este estigma anti-homofobia não passa. Defendo um texto mais abrangente contra todos os tipo de preconceito, intolerância e discriminação. Quem discriminar um homossexual deve ser punido com rigor da lei. Quem for intolerante com um idoso deve responder na justiça e quem tratar qualquer cidadão com preconceito também não pode ficar impune. Veja só o preconceito social. Até hoje, a elite brasileira não aceita o pobre ocupando lugares imp ortantes. A própria imprensa, principalmente os donos, não abre espaços para os inclusos, sem teto, sem saúde e sem emprego. O pobre não tem voz na sociedade, este é o maior preconceito que vivemos, mas sem voz ninguém escuta o drama das crianças que nascem em casebres sem banheiro e sem a mínima condição de saúde. Nos grotões do Brasil as crianças ainda são escravizadas, exploradas e abusadas, mas não tem voz na grande imprensa. O texto ainda não mudou, mas precisa ser alterado para que todos possam ser beneficiados. A PL 122 deve voltar pra Câmara Federal, local de origem, para iniciar um grande debate. O Brasil tem que participar, pois até agora, só os homossexuais e a classe política debateram esta mudança de costume que vai refletir em toda sociedade.

A Constituição Federal afirma que o Estado laico. O que o senhor acha dessa mistura entre Estado e religião?
Religião é religião. Política é política. Família é família. Não podemos misturar. Mas princípios e liberdade de expressão são para todos. Todos, independente de religião, ideologia e raça tem direito a liberdade de expressão. O homossexual pode expressar o seu livre arbítrio e o evangélico também. A classe política, seja qual for a ideologia, deve se expressar com total liberdade. O contexto é um só, porém cada coisa em seu lugar. O País é laico, mas o brasileiro tem sua religião e também precisa ser respeitado.

Há algumas semanas, a deputada Myrian Rios relacionou homossexualidade com pedofilia. No passado, o senhor já chegou a comparar a homossexualidade com necrofilia, zoofilia, entre outras barbaridades. Como atual presidente da CPI da Pedofilia no Senado, qual a sua posição sobre o tema?
Eu nunca relacionei homossexualidade com pedofilia e muito mesmo com qualquer outra barbaridade. Pelo contrário, como presidente da CPI da Pedofilia, informei para o Papa que homossexualismo não tinha elação com pedofilia, defendi os religiosos acusados incorretamente de pedofilia. Na verdade, colocaram muitas mentiras como ditas pela minha boca. Mas jamais demonstrei qualquer agressão moral ou preconceituosa aos homossexuais, que me agridem de diversas formas, colocando-me como inimigo número 1. Este é um preconceito, mas tenho consciência de que sou respeitador, mesmo não tendo o mesmo pensamento de quem é homossexual por livre e espontânea vontade.

O Grupo Gay da Bahia – um das organizações mais atuantes na defesa dos direitos humanos para os homossexuais – já incluiu seu nome no famoso troféu Pau de Sebo, destinado aos “inimigos” deste segmento. O senhor se considera amigo ou inimigo dos gays?
É este preconceito que estou me referindo. Quem não pensa igual a um homossexual é estigmatizado pela classe. Mas vivo em paz com minha consciência e por isso respondo com tranqüilidade estas perguntas. Não sou inimigo dos homossexuais.


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